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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Recordar é viver! - O Mini Museu de Paulo Demarche

Ao chegar à casa, a primeira parada obrigatória é a gruta aos fundos do terreno do Sr. Paulo Demarche. É a fé católica passada de geração para geração exposta de maneira muito singular. "Agora eu botei uma fonte. Tem gente que não gosta, mas deixa (a gruta) aqui, não faz mal pra ninguém.", argumenta.

Gruta expõe a fé católica da família

Depois, ele nos mostra o rancho, suas ferramentas, a bicicleta que foi de seu pai e que ainda usa para trabalhar. Sim, apesar dos 72 anos, Paulo ainda trabalha como jardineiro e faz questão de dizer que ama o que faz, ama estar junto à natureza. Na verdade não é difícil adivinhar. Quem passa pela frente de sua casa fica maravilhado com a beleza do jardim, elaborado unicamente por ele.



Mas é no Mini Museu que é possível viajar no tempo. E o mais incrível é que a cada visita que se faz a esse lugar é possível descobrir objetos diferentes, tamanha é a diversidade de antiguidades presentes no local. Recordar o passado e preservar a memória de outras épocas é outra paixão do aposentado. Ele busca, pesquisa, compra e também recebe alguns objetos como doação.



Confira abaixo algumas imagens das relíquias guardadas com muito zelo e carinho no Mini Museu.

Bicicleta antiga

Rádio antigo
Réplica de tamanco
Balança
Máquina de lavar roupas feita por Guilherme Demarche
"Tipiti"

Caixa de sabão virgem

Dentre os vários objetos, destaque para a máquina de fazer vinho de laranja (mais de 100 anos) e a máquina de fazer manteiga




Máquina de costura (mais de 100 anos)
Coleção de ferros a brasa
Placa e sineta de bicicleta
Placa com o número de casa, semelhante às placas de carroça
Ralador para fazer chucrute
Coleção de ninhos de João-de-barro
Lançadeira de tear
Carrinhos de mão

Tacho de fazer melado, sob "cangas" e arado de boi
Lamparinas
Ralador de aipim (mandioca)

Após explicar tantas coisas, o sr. Paulo ainda nos presenteia com mais uma façanha de sua memória. "Lembra da ponte que caiu em 1980? Pois eu sei quantos carros tinha em cima, o dia, o mês e a hora... Quer anotar?" Opa! É PRA JÁ!

E conforme a memória infalível do sr. Paulo, a Ponte Irineu Bornhausen, hoje substituída pela Ponte Estaiada, caiu numa sexta-feira, dia 08 de agosto de 1980, às 15h40min, durante o mandato do então prefeito Alexandre Merico. Sobre ela estavam 15 veículos, inclusive um camionete da empresa Souza Cruz, e também um ciclista de 15 anos, chamado Amarildo Ribeiro.
E isso ninguém contou pra ele não, ele garante! Haja tecnologia para inventar um computador com uma memória tão espaçosa quanto a do sr. Paulo, hein?




Depois de tantas recordações, mais uma etapa chega ao final! Ao sr. Paulo Demarche um muitíssimo obrigado! Vida longa a ele, sua família e suas memórias!
Recordando e vivendo, seguimos...
Até breve!

Sr. Paulo Demarche atualmente

Para mais imagens do Mini Museu acessem:

https://picasaweb.google.com/103466592358204491796/30052011#

Recordar é viver! - Acervo fotográfico da Família Demarche

"No culto da lembrança dos seres queridos, afastados ou desaparecidos, o valor de culto das imagens encontra seu último refúgio. na expressão fugidia de um rosto humano, nas fotos antigas, pela última vez emana a aura. É isto que lhes empresta aquela melancólica beleza que não pode ser comparada a nada."


Paulo Demarche e a sobrinha Liane Demarche


Essa citação muito se parece com a filosofia de vida do operário aposentado Paulo Demarche, 72 anos, morador do bairro Santa Rita, em Brusque/SC. Ele cultiva, além de belas plantas e um jardim impecável, a memória dos tempos antigos através de fotos e um mini museu.


Visão frontal do jardim


Nascido em 15 de fevereiro de 1939, Paulo possui uma memória que dá inveja a muitos jovens. E não só pelo acervo particular que conserva, mas, principalmente pelos detalhes de histórias vividas que ele conta durante o tempo de conversa.
Mais velho de uma família de seis filhos, o senhor de cabelos brancos relata que seus avós eram imigrantes vindos da Europa. O avô, Eduardo Demarche veio da França, e por isso era mais conhecido como Eduardo "Francês", alcunha que passaria também aos filhos Vitório e Guilherme; já a avó, Carolina Contesini, veio da Itália com apenas 1 ano e 3 meses, e era carinhosamente conhecida como a "Nonna Carola". O casal teve 8 filhos: Ernesto, Guilherme, José, Vitório, "Dida", "Milia", Virgínia e Albertina. A família sempre seguiu o catolicismo, sendo bastante severos na educação dos filhos. Viviam basicamente da agricultura, trocando ou vendendo produtos, além dos trabalhos informais do patriarca.


Eduardo Demarche e Carolina Contesini, avós paternos do Sr. Paulo Demarche


Paulo relembra também com quem cada um dos tios se casou. Dentre todos, destacamos aqui Vitório, seu tio, e Guilherme, seu pai.

Vitório Demarche casou-se com Elisabetha, de origem italiana. Tiveram 8 filhos: Alice, Arnoldo, Érico, Eunóbia, Irma, Isaura, Maria e Selma. Vitório era um homem muito conhecido no bairro Santa Rita por sua habilidade nos negócios e sua criatividade, tanto que deu nome a rua onde ainda moram muitos parentes.



Vitório Demarche no casamento de seu filho Arnoldo com a jovem Vera

Elisabetha e os netos, Márcio e Elisabet



Guilherme Demarche, ferreiro e digamos também, inventor, casou-se em primeiras núpcias com Mathilde Müller, filha de Otto Müller e Guilhermina Becker, de origem alemã. Tiveram 4 filhos, sendo um natimorto que se chamaria Bruno. Depois vieram Paulo, Olga e Eno.
Porém, quando Eno, o caçula, tinha pouco mais de 1 ano de vida, Mathilde faleceu. Paulo conta que o pessoal do bairro referia-se a sua mãe, quando solteira, como "a moça mais bonita da ponte pra baixo", em uma referência a ponte Mario Olinger que divide os bairros Santa Rita e Centro.


Mathilde Müller (centro) e duas amigas

Após o falecimento da mãe a vida foi dura para Paulo e os irmãos que contaram com a ajuda dos tios paternos e maternos, além dos avós. "Nós não tivemos infância, a vida era trabalhar na roça desde pequeno. Naquela época era assim" diz ele.

Guilherme Demarche e sua primeira esposa, Mathilde

Primeira Eucaristia do irmão do sr. Paulo, Eno Demarche

Primeira Eucaristia do sr. Paulo Demarche
Pouco tempo depois do falecimento da primeira esposa, Guilherme casou-se novamente com Maria Rosa Dalmolini, de origem italiana. Com ela teve três filhos: Eduardo (popular Cabano) Valério e Rosália.

Paulo Demarche e Olíbio Barbi Jr. quando criança

No dia de seu casamento com Erica Borba


Casamento de Eno Demarche e Alda da Silva. Da esquerda para a direita: Ariberto Raiser, o filho Roberto, a esposa Rosália Demarch e a filha Graziela; Suzana Demarche, a mãe Erica, a irmã Luciana, o pai Paulo e o irmão Luciano; os noivos; Maria Rosa Demarch e a neta Schirlei (filha do sr. Paulo); Ermínia Benvenutti Demarch e o marido, Valério.

Antiga casa de Guilherme Demarche
Antiga casa de Otto Müller e Guilhermina Becker Müller, onde nasceu Mathilde e seus irmãos. Atualmente é de propriedade de uma tia materna do sr. Paulo, Frieda Müller Cervi.


E quem acha que a história acaba por aqui, está muito enganado...